Você olha para o seu currículo e sente que, além da graduação, não tem muita coisa para mostrar? Você olha uma vaga de nível iniciante e pensa: "o que eu tenho para oferecer que me diferencie dos outros?". A boa notícia é que você provavelmente tem muito mais experiência do que imagina.
Vamos direto ao ponto: o mercado valoriza dois tipos de experiência: a Experiência Formal, que vem de estágios e empregos, e a Experiência Prática, que é sua capacidade de usar habilidades para resolver problemas reais, independente do contexto.
A sua Experiência Prática também mostra o seu potencial, e é ela que eu quero te ensinar a "empacotar" e mostrar para um recrutador.
Imagino que você tenha responsabilidades para cumprir diariamente. E não, não estou falando de tarefas automáticas ou hábitos básicos, mas de situações em que você realmente precisa se organizar, tomar decisões, cumprir prazos ou lidar com pessoas.
Creio que suas tarefas do dia a dia envolvem coisas como estudar, trabalhar, ajudar nas tarefas de casa (ou talvez você é quem tenha que fazer as coisas em sua casa), cuidar de familiares, sair para resolver outras coisas, enfim.
E mesmo que você não faça tudo isso e tenha mais tempo para investir em outras atividades, talvez elas envolvem participar dos projetos do curso (ou trabalhar em um projeto seu), ser voluntário em uma ONG, etc.
O fato é que as coisas que você faz no dia a dia mostram o seu “perfil” de pessoa e as habilidades que você tem, e agora vem a parte de usar isso ao seu favor nos processos seletivos!
Nem tudo o que você faz diariamente vira experiência profissional no sentido formal da palavra. Mas muitas situações da vida real revelam competências que são, sim, usadas no trabalho.
Não sei se você sabe, mas hoje em dia o LinkedIn deixa as mães colocarem essa profissão no perfil, porque ser mãe é uma baita profissão, só não é remunerado financeiramente.
Pensando nisso, você pode usar experiências reais e relevantes da sua rotina para mostrar que você tem habilidades úteis e que é uma pessoa responsável.
Aqui entram situações que exigiram organização, responsabilidade, comunicação ou tomada de decisão (não tarefas automáticas ou hobbies sem relação com o mundo do trabalho).
Organizar uma festa do zero, cuidar da logística da casa por um período, ajudar na gestão de um pequeno negócio da família ou liderar um projeto acadêmico são exemplos de experiências que exigem habilidades transferíveis para o mercado.
Onde essa “experiência prática” entra de verdade: no seu currículo ou no seu perfil do LinkedIn?
O currículo tradicional costuma ser mais direto, então a estratégia aqui é usar os espaços de forma inteligente. Aqui estão alguns locais que você pode utilizar a seu favor:
Esse espaço pode mostrar de forma rápida quem você é e onde quer chegar. Em vez de repetir dados básicos, conecte seu objetivo com uma experiência prática. Exemplo: “Estudante de Administração com experiência em organização de projetos acadêmicos e coordenação de eventos comunitários.”
Criar um tópico específico para projetos pessoais e acadêmicos ajuda a valorizar o que você já realizou fora do mercado formal. Vale citar eventos que organizou, trabalhos de destaque na faculdade ou até iniciativas digitais, como um canal na internet.
Se você já participou de ações sociais ou comunitárias, esse é um bom lugar para mostrar. O voluntariado mostra competências como trabalho em equipe, responsabilidade e empatia, além de transmitir iniciativa.
Mesmo sem registro em carteira, vale incluir trabalhos informais ou atividades com responsabilidade clara, desde que façam sentido para a vaga.
O importante é descrevê-los de forma profissional, destacando funções e resultados. Em vez de “ajudei na loja do meu tio”, prefira algo como:
“Atendente – Comércio Local: responsável por atendimento ao cliente, controle de caixa e organização de estoque.”
Isso mostra vivência prática, sem forçar uma experiência que não existe.
O LinkedIn é bem mais flexível e te dá mais espaço para contar sua história. As possibilidades aqui são ainda maiores:
É um ótimo lugar para expandir o resumo do seu currículo, afinal, você pode usar esse espaço para criar uma narrativa que conecta as suas experiências práticas e profissionais (caso tenha), para mostrar quem você é, o que você acredita e o que você sabe fazer muito bem.
A mesma lógica do currículo se aplica aqui, com a vantagem de que o LinkedIn trata essas experiências informais com mais naturalidade. Você pode criar um cargo para o negócio familiar ou o trabalho na loja e descrever suas conquistas. Se a empresa não tiver uma página, não tem problema, o importante é o que você descreve.
A plataforma tem uma seção dedicada e oficial para isso. Se você tiver experiência voluntária para preencher essa área, isso vai transmitir mais credibilidade para o recrutador e vai ajudar a passar a imagem de uma pessoa que é engajada com a comunidade em que vive.
O LinkedIn também tem uma seção dedicada para os projetos, e com a vantagem de que além de descrever os projetos, você também pode adicionar links, fotos, vídeos e documentos para provar o que você fez. Você pode aproveitar para anexar outra apresentação de trabalho, um perfil no Instagram que você já iniciou, fotos de eventos que você organizou, enfim, é uma ótima vitrine dos seus projetos.
Se for montar um currículo, adapte ele a cada vaga que você se candidatar. Para quem está no início da carreira, uma página bem organizada costuma ser mais do que suficiente.
Se houver muitas experiências relevantes, duas páginas ainda são aceitáveis. Mais do que isso, só em casos muito específicos. Lembre-se: o recrutador precisa entender quem você é em poucos segundos.
No fim das contas, a gente se acostumou a achar que ela só vale se vier com um carimbo na carteira de trabalho e um nome bonito na seção "Experiência Profissional".
Mas o que um recrutador realmente quer saber é se você dá conta das tarefas da vaga e se, na prática, consegue usar suas habilidades (ou aprender novas) para resolver problemas reais.
E a sua experiência prática (aquela festa que deu certo no sufoco, o projeto da faculdade que você liderou, o trabalho voluntário do fim de semana ou a ajuda no negócio da família) é a maior prova de que você sabe fazer isso.
Por isso que meu objetivo aqui não é deixar o seu currículo/LinkedIn cheio de coisas. É fazer você entender que a sua vida já é um portfólio, a única coisa que faltava era aprender a contar essa história.